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Chihuto alerta que procura pelas forças de defesa por falta de emprego ameaça profissionalismo

O advogado Hélder Chihuto, antigo oficial do Exército durante 12 anos, alerta que o crescente interesse de milhares de jovens angolanos em ingressar na Polícia Nacional e nas Forças Armadas Angolanas (FAA) por razões essencialmente económicas representa um risco para a qualidade das instituições de defesa e segurança. O jurista afirma que a farda deve ser assumida como uma missão de serviço à pátria e não como uma alternativa ao desemprego, defendendo que a crise laboral está a empurrar muitos cidadãos para uma escolha motivada pelo desespero.

O advogado Hélder Chihuto afirma que Angola vive uma inversão da realidade registada em décadas anteriores, quando, segundo recorda, eram as autoridades que mobilizavam cidadãos para integrarem as fileiras militares e policiais. Hoje, apura o Jornal O Secreto, verifica-se uma corrida sem precedentes de jovens aos concursos públicos das forças de defesa e segurança.

Chihuto disse que serviu o Exército durante 12 anos, tendo deixado a instituição por decisão própria e sem qualquer sanção disciplinar, experiência que, segundo sublinha, lhe permite falar com conhecimento sobre a vocação exigida pela carreira militar.

O jurista adianta que transformar a Polícia Nacional e as FAA em meros centros de absorção do desemprego pode comprometer os princípios de disciplina, ética e patriotismo que devem orientar estas instituições. Na sua avaliação, quando o ingresso é motivado apenas pelo salário, aumenta significativamente o risco de práticas como corrupção, abuso de poder e mercenarismo.

Por outro lado, Hélder Chihuto entende que o elevado número de candidatos aos concursos públicos constitui igualmente um reflexo da incapacidade da economia nacional em gerar oportunidades suficientes para a juventude, realidade que expõe a fragilidade das políticas de emprego.

No entanto, o antigo oficial defende que os jovens não devem limitar as suas expectativas às instituições militares e policiais. Por outra, incentiva a procura de oportunidades noutros sectores do Estado e da iniciativa privada, bem como o investimento na formação profissional e no desenvolvimento de competências.

O advogado avança que servir a pátria através das forças de defesa continua a ser uma missão nobre, mas alerta que essa missão só pode ser cumprida por quem possui verdadeira vocação, disciplina e compromisso com o interesse público, e não apenas pela necessidade de garantir um posto de trabalho.

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